Portas de vidro quebradas, equipamentos danificados e passageiros embarcando sem pagar. Problemas recorrentes nos corredores Transcarioca e Transoeste, o vandalismo e o calote já faz parte do cotidiano do BRT Transolímpica. Inaugurado em junho do ano passado, o trecho que liga Deodoro à Barra da Tijuca sofreu, nesta segunda-feira, o mais recente episódio de depredação. Pouco depois da meia-noite, na estação Boiúna, em Jacarepaguá, um homem desferiu chutes contra a porta da bilheteria e golpeou ferozmente uma catraca até arrancá-la do chão. Após o ataque de fúria, saiu andando pela porta da frente.

Foto: Paula Johas/ PCRJ
Foto: Paula Johas/ PCRJ

O vandalismo é apontado pelo consórcio como um dos principais problemas enfrentados. Mensalmente, são gastos cerca de R$ 3 milhões na recuperação de estações. De janeiro a outubro, o valor destinado à manutenção ultrapassou R$ 30 milhões, segundo o BRT.

— Apelamos diversas vezes às autoridades competentes. Os problemas que estamos enfrentando são de segurança pública e transcendem em muito a capacidade do BRT de garantir a integridade dos equipamentos e, no limite, até mesmo dos funcionários e passageiros — afirma a diretora de relações institucionais do BRT, Suzy Balloussier.

A estação Boiúna já teve dez vidros quebrados. Nesta segunda-feira, quem sofria com a falta de vidraças eram os passageiros da estação Magalhães Bastos, também na Transolímpica. O vão deixado pela ausência de uma das portas serve de convite para os caloteiros, de acordo com passageiros.

Foto: Miriam Jeske/ ME
Foto: Miriam Jeske/ ME

— Esse vidro quebrado vai fazer aniversário, de tanto tempo que está aí sem tomarem providências. Muita gente aproveita a facilidade para entrar e sair sem precisar passar pela catraca — conta o comerciante Waldir Gomes, de 39 anos.

Em outros corredores, episódios de depredação já causaram o fechamento de estações, como foi o caso de Vila Paciência e Cesarão 2, no Transoeste. A violência na região foi um dos argumentos usados pelo consórcio para ameaçar a interrupção do serviço ao longo da Avenida Cesário de Melo, uma das principais vias de Santa Cruz.

— A violência está tornando a operação insustentável, não queremos deixar de operar. Que investidor pensa em parar de operar no quinto ano de um contrato com vigência de vinte? E muito para além dos prejuízos financeiros do consórcio, nós sabemos do papel social que o BRT cumpre, parar a operação, apenas uma estação que seja, causa um impacto enorme na vida da população que precisa e conta com o BRT. As estações do BRT recebem diariamente um público que varia de 2 mil a 20 mil pessoas — diz Suzy.

Foto: Paula Johas/ PCRJ
Foto: Paula Johas/ PCRJ

O vereador Tarcísio Motta (PSOL), membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, critica a postura do consórcio. O gasto gerado com a depredação, avalia ele, não comprova que o BRT tenha prejuízos financeiros na operação. De acordo com dados enviados pelo consórcio à CPI, o corredor Transoeste transportou, de janeiro a julho deste ano, 39.458.970 passageiros, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram transportados 31.238.338 passageiros.

— Eles só poderiam alegar algum tipo de excesso de prejuízo por conta do vandalismo se mostrarem com transparência os dados. Eles não abrem a caixa preta. A CPI dos ônibus recebeu até agora menos de um quarto dos documentos pedidos, apesar de todos os adiamentos de prazos que já fizemos. Os dados que a gente tem, que são dados da prefeitura, mostram que eles, hoje, transportam muito mais passageiros do que transportavam no início da operação, em 2010 — diz Tarcísio.

Para ajudar a coibir a ação dos vândalos, o vereador Felipe Michel (PMDB), membro da CPI e da Comissão de Transportes da Câmara, pretende propôr um projeto de lei para criar multa específica para a depredação do sistema BRT.

— O que a gente vê nas estações é um absurdo. É lamentável. Da mesma forma que temos que cobrar um serviço de excelência das empresas, temos que cobrar o zelo da população. É preciso ter uma lei específica para coibir o vandalismo no BRT. Temos que buscar formas de melhorar esse sistema de transporte público — diz o vereador.

Em busca de solução para a mitigação do problema do vandalismo e da segurança pública — já que assaltos nas estações são reclamações frequentes de usuários —, o consórcio enviou solicitações à Secretaria municipal de Transportes (SMTR). A prefeitura diz que as solicitações referentes à segurança pública foram encaminhadas aos órgãos competentes. O consórcio BRT, no entanto, afirma que até agora a situação não mudou. Questionada sobre o policiamento, a Polícia Militar afirmou, em nota, que “atua no entorno de todas as estações do BRT e sempre que acionada atua imediatamente”.

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