Eduardo Paes faz o trajeto Barra a Madureira seu local preferido e cheio de investimentos em lazer

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Por: Clarissa Monteagudo

A pouco mais de um ano de deixar a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes conseguiu uma façanha. Em uma época de inferno astral para a classe política, andou livremente pelas ruas da cidade que governa, sem seguranças e nenhum assessor. Ou, pelo menos, em parte dela. O desafio foi lançado pelo EXTRA depois que o prefeito apareceu circulando como motorista de táxi em uma de suas imagens mais polêmicas de 2015. Era uma peça de marketing para criar um clima de comercial de margarina entre o governante e (futuros) eleitores, ou Eduardo Paes tem mesmo passe livre?

Do terminal Alvorada até Madureira, pausas para selfies, elogios a obras como o Parque Madureira e até conversa sobre futebol: o carioca não se intimida diante do prefeito
Do terminal Alvorada até Madureira, pausas para selfies, elogios a obras como o Parque Madureira e até conversa sobre futebol: o carioca não se intimida diante do prefeito Foto: Marcelo Theobald / Extra – Cidade

O prefeito aceitou fazer o teste de andar como cidadão comum num ônibus BRT. Embarcou às 11h, fora do horário de pico, quando o corpo a corpo seria mais difícil. A repórter do EXTRA acompanhou o prefeito. Na entrada do terminal Alvorada, na Barra, só quem estranhou sua presença foram os guardas. Ajeitaram o uniforme e quase bateram continência. Os passageiros agiram com absoluta naturalidade. Uma selfie aqui, um elogio para o Parque Madureira ali, uma zoada no Vasco mais adiante e o prefeito seguia viagem. Eduardo Paes sabe escolher onde pisa. Desembarcou na estação de Madureira. Na Rua Clara Nunes, templo da escola do coração, a Portela, o asfalto é digno de um desfile de mestre-sala. Ali do lado, no Cafofo da Surica, só perde em popularidade para Zeca Pagodinho.

Eduardo Paes topou o desafio do EXTRA de andar de BRT após sua polêmica imagem dirigindo um táxi
Eduardo Paes topou o desafio do EXTRA de andar de BRT após sua polêmica imagem dirigindo um táxi Foto: Marcelo Theobald / Extra – Cidade

“Oi, safado!”, grita Tia Surica, da cozinha. “Oi, delícia!”, brinca Paes. “Ele entra sem bater, vocês não sabem que ele não tem educação?”, brinca a sambista. “Você é minha amante, Surica”, dispara o prefeito. “E hoje eu fiz bife de panela…”, ela ri. A intimidade de Paes com o mundo do samba vai muito além dos quitutes. Reflete um apetite político. A revitalização da região tornou-se seu trunfo. Na Rua Carolina Machado, dá tchau até para a imagem de Nossa Senhora da Conceição em tamanho natural. Confundiu com uma eleitora? “Não, eu peço a bênção mesmo”. No cenário atual, não custa nada…

O prefeito sabe escolher onde pisa. Em Madureira, é uma celebridade: suas rodas de samba no Palácio Rio 450 anos são conhecidas
O prefeito sabe escolher onde pisa. Em Madureira, é uma celebridade: suas rodas de samba no Palácio Rio 450 anos são conhecidas Foto: Marcelo Theobald / Extra – Cidade

Se o Rio tivesse um corpo, o coração seria Madureira”, costuma dizer Eduardo Paes. Nascido e criado no Jardim Botânico, ele “bota na conta” do samba a integração da cidade. Inclusive a sua própria integração com a cidade. Foi a paixão pelo samba e pelo futebol que levou o então estudante do tradicional Colégio Santo Agostinho, no Leblon, às ruas do subúrbio.

Eduardo Paes exibe o asfalto nas ruas que dão acesso à Portela, sua escola de coração
Eduardo Paes exibe o asfalto nas ruas que dão acesso à Portela, sua escola de coração Foto: Marcelo Theobald / Extra – Cidade

Hoje, os encontros de sambistas que promove no Palácio Rio 450, símbolo do seu “reinado” em Oswaldo Cruz desde o dia 1º de março de 2015, se tornaram concorridos. Virou celebridade.

— As pessoas sempre diziam que os prefeitos só olhavam pela Zona Sul. Agora falam que eu só olho por Madureira — brinca Paes, que tem como ícone o prefeito Pedro Ernesto, amado pelos sambistas: — Parece até que eu tenho raiva do Leblon. Não dá para agradar a todo mundo. A falta de integração entre as zonas Sul e Norte só desfavoreceu o Rio. Confundir pobreza e violência é absurdo. Nossa elite é muito arrogante.

(O passeio aconteceu antes de Paes quebrar o pé, às vésperas do réveillon)

Leia mais: no site do Jornal Extra

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