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Desconstrução do Clínica da Família pode deixar mais de um milhão sem cobertura Prefeitura ameaça esvaziar unidades para privilegiar atendimento em postos e hospitais

Imagem reprodução da Internet

Um dos mais premiados programas de Saúde da capital, a Clínica da Família, está sendo desconstruído pela atual administração municipal. A prefeitura ainda não oficializou quando será, mas já avisou que vai cortar 300 equipes de Saúde da Família.

Com a medida, o programa que hoje atende a quatro milhões de cariocas, vai deixar sem cobertura nada menos do que 1,2 milhão, segundo o vereador Paulo Pinheiro (Psol), médico e integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Uma redução na ordem de 30%. De quebra, vai desempregar três mil profissionais, sendo 300 médicos. Para o governo que se elegeu prometendo “cuidar das pessoas”, o corte vai no sentido oposto de seu compromisso.

Com a redução, a cobertura da Saúde da Família na cidade, que segundo o Ministério da Saúde é de 65%, vai cair para 55%, inferior ao que a atual gestão encontrou quando assumiu o governo. Em 2016, a cobertura era de 66%. Inclusive, o Rio ganhou um prêmio internacional por sua excelência na Medicina de Família: o Wonca Global Health Award. Em nota, a prefeitura alegou que “vem implementando ações de ajuste fiscal, orçamentário e financeiro para adequar seus serviços ao poder de gasto da administração municipal, que diminuiu com a crise financeira e com a baixa arrecadação desde o ano passado”. Ontem, o prefeito Marcelo Crivella anunciou a construção de uma Clínica da Família na Cidade de Deus.

“O orçamento da prefeitura para 2019 é R$ 200 milhões maior que o de 2018 (R$ 30,4 bilhões contra R$ 30,2 bilhões). Mas na Saúde, o prefeito fez um corte de 12%!”, reclama Pinheiro. Segundo ele, o orçamento da Saúde em 2018 foi de R$ 6 bilhões e a previsão para 2019 é de R$ 5,3 bilhões. “Crivella está cortando R$ 720 milhões da Saúde. O que é absolutamente inaceitável!”, lamenta o parlamentar. E mais da metade do corte, R$ 400 milhões, atinge justamente a Clínica da Família.

“Ao enviar a proposta orçamentária, com o escandaloso corte, à parte possíveis objetivos escusos, o que fica claro é o consequente desmonte do Programa de Saúde da Família a mais eficaz estratégia de Saúde Pública conhecida”, denuncia, em nota de repúdio, o Sindicato dos Médicos (SinMed-RJ).

O DIA procurou as Organizações Sociais (OSs) que administram Clínicas da Família na cidade. O Viva Rio e o Iabas alegaram que são proibidos de se manifestar por força de contrato.

Luci: ‘Soube que vai acabar, que os médicos não vão mais em casa atender quem não pode sair’ – Marcio Mercante / AgÊncia O Dia

Pacientes estão com muito medo

As ameaças que rondam o corte do programa têm apavorado as famílias que dependem do projeto no município. A aposentada Luci Seabra e Silva, 65 anos, é uma que tem medo. “Fiquei sabendo que vai acabar, que os médicos não vão mais em casa atender os pacientes que não podem vir à clínica”, diz, espantada.

Dona Luci é atendida pela equipe da Clínica da Família Dante Romanó Junior, de Marechal Hermes. “Aqui eu tenho acompanhamento. Tudo eles encaminham. É ótimo pra gente. Agora, cuidam de mim, mas já cuidaram da minha mãe. E querem tirar isso da gente?”, questiona.

Thalita Pires do Nascimento, 33 anos, e a sobrinha Brenda Gabrieli de Moraes Pires, 14, que é mãe de Moisés, de 11 meses, também estão preocupadas. “Me trato na clínica desde que abriu, em 2012. A equipe vai visitar o meu avô em casa. Isso não pode acabar”, apela Thalita.

Fonte Jornal O Dia Online

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