terça-feira , 19 novembro 2019
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Moradores dizem que não havia tiroteio e que PMs atiraram na direção de pedreiro na Vila Kennedy Protesto fechou a Av. Brasil e causou grande congestionamento

O pedreiro Pio Baía Júnior, de 45 anos, morto durante ação policial na Vila Kennedy Foto: Reprodução

Moradores da Vila Kennedy afirmaram que não estava ocorrendo tiroteio quando o pedreiro José Pio Bahia Júnior, de 45 anos, foi morto com tiro nas costas enquanto trabalhava na construção de uma laje, nesta terça-feira em uma casa da comunidade. De acordo com moradores e parentes, policiais militares teriam feito disparos em direção ao fim da Rua Gana, onde a obra era realizada, quando José Pio foi ferido.

O pedreiro Pio Baía Júnior, de 45 anos, morto durante ação policial na Vila Kennedy Foto: Reprodução
O pedreiro Pio Baía Júnior, de 45 anos, morto durante ação policial na Vila Kennedy Foto: Reprodução

— Ele não era bandido. Estava trabalhando. Deixou cinco filhos. Não havia confronto. Recolhemos 14 cápsulas de fuzil aqui. Eles (PMs) atiraram para matar. Estavam na esquina da rua, e não havia confronto. Não foi bala perdida — disse um morador que pediu para não ser identificado.

Dono da casa onde a laje estava sendo construída, o comerciante Moisés Domingues, de 41, contou como o pedreiro foi morto.

— Ele estava de costas trabalhando com mais dois ajudantes. De repente, os tiros começaram e ele não teve tempo de se proteger. Os ajudantes ainda conseguiram deitar no chão, mas ele acabou levando um tiro nas costas — disse Moisés.

Parentes de José Pio disseram que, há 20 anos, o pedreiro veio da cidade de Cachoeira Alegre, em Minas Gerais, para trabalhar no Rio de Janeiro. Desde então passou a morar na Vila Kennedy.

— Ele era muito querido aqui na comunidade. Fez obra praticamente em toda Vila Kennedy. Infelizmente, a gente sempre assiste a notícias assim na televisão. Agora, a gente quer saber quando isso vai parar — disse Jorge Bahia, de 37, irmão de José Pio.

Pio deixa três filha e um neto. Ele era conhecido por alegrar quem estava em sua volta, mesmo em momentos de violência.

— Ele era uma pessoa sensacional, um cara super alegre e as pessoas estão surpresas pelo que aconteceu. Quando tinha tiroteio na comunidade ele ainda fazia brincadeiras para tentar deixas as pessoas menos aflitas — contou Rosângela Vieira, cunhada do pedreiro.

Por conta da morte do pedreiro, moradores da comunidade fecharam a Avenida Brasil para realizar um protesto. Um ônibus foi incendiado na pista sentido Centro da Avenida Brasil. Um outro veículo foi incendiado, e a PM utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Em nota, a PM informou que, durante a operação, na saída da Avenida Brasil, “criminosos armados atiraram contra os militares. Posteriormente, o comando o batalhão foi informado que um homem estaria ferido. Imediatamente, ele enviou uma equipe ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, para verificar o fato”.

PMs de quatro batalhões, auxiliados por um helicóptero reforçaram o policiamento do local para evitar novos protestos. A investigação do crime será feita pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Fonte: Jornal Extra Online

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