sexta-feira , 17 setembro 2021
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Vizinhos de prédios históricos e tombados da Zona Norte do Rio reclamam de modificações e de falta de conservação Projeto de 2017 de criação de um museu a céu aberto em Oswaldo Cruz e Madureira, por exemplo, não saiu do papel. Casa de Paulo da Portela e antigos cinemas estão deteriorados ou descaracterizados

Casarão do Centro Espirita Ismael Construído em 1928 | Foto Rogério Silva

Vizinhos de prédios históricos, muitos deles tombados, da Zona Norte do Rio reclamam da falta de conservação e de modificações que os descaracterizaram.

Na Rua Carolina Machado, em Oswaldo Cruz, uma casa onde morou Paulo da Benjamim de Oliveira, o Paulo da Portela — compositor e primeiro presidente da escola de samba —, só tem a fachada, mesmo assim pichada. O telhado veio a baixo e não foi refeito.

“Tinha uma placa aqui. Só que isso tudo se perdeu. Essa falta de identificação apaga a memória de personagens históricos importantes, como Paulo da Portela”, disse a guia de turismo Adriana Jackson.

Em 2012, a casa foi quase demolida. Só não ruiu porque fazia parte de um projeto de museu a céu aberto, da Prefeitura do Rio, que nunca saiu do papel.

“Foi aqui que Paulo da Portela morreu, e a gente se pergunta por que lá em 2012, quando o museu a céu aberto foi proposto, esse imóvel não foi tombado? E, mais do que isso, restaurado, transformado num museu?”, indagou Daniel Sampaio, presidente do Instituto Rio Antigo.

Cinema tombado descaracterizado

Em Madureira, a fachada original do antigo Cinema Alfa foi modificada. O prédio, que é tombado, passou por reformas em 2018. E ficou descaracterizado.

“A gente não sabe se foi destruída a fachada ou se ela foi simplesmente coberta. De uma forma ou de outra, está errado”, disse Sampaio.

Uma outra relíquia do bairro era o Cinema Beija-Flor, patrimônio também tombado pela prefeitura. Hoje, ele está bem diferente da construção original.

“O nosso patrimônio precisa estar à vista, conservado, e ele precisa estar disponível para as pessoas para que elas possam ter orgulho do bairro onde elas moram, ter noção de pertencimento”, disse Sampaio.

Bom exemplo

Um casarão de 1920 na Rua Carolina Machado, em Oswaldo Cruz, estava sem reboco, com as paredes pichadas e largado. Em 2015, ele foi restaurado, em uma obra que custou R$ 3 milhões. O prédio histórico, apesar de não ser tombado, foi um dos presentes para a cidade quando o Rio completou 450 anos.

Mas provavelmente, muitos cariocas não sabem que no local, o Palácio Rio 450 Anos, funciona uma das sedes da prefeitura.

“Aqui está um exemplo de como é possível restaurar, preservar o patrimônio histórico. Um bom exemplo, mas é apenas uma iniciativa”, disse Daniel Sampaio.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura do Rio diz que, em 2017, embargou obras de demolição no antigo Cinema Alfa, em Madureira. E que determinou a reconstrução da parte demolida. A prefeitura diz ainda que já aplicou sete multas ao atual proprietário do imóvel.

A produção do Bom Dia Rio não conseguiu contato com a Loja Giga, que funciona no imóvel do antigo Cinema Alfa.

Sobre o antigo Cinema Beija-Flor, a prefeitura diz que notificou os atuais donos da construção para realizar autovistoria.

Em relação à casa de Paulo da Portela, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade diz que o imóvel é privado e que cabe ao atual proprietário providenciar a recuperação.

Matéria do Portal G1 | Por Alexandre Henderson, Bom Dia Rio

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